

Clareira
Como será a manhã do dia seguinte? Do dia seguinte esse mesmo, diante de olhos.
Muitos olhos, não só os meus. Passam dias por entre as frestas, pelas janelas, dos carros, dos prédios, e fazem festa no meu pátio. Pátio das ideias.
Verde água. De verde água pintam o gramado, e o gramado suga o azul do céu estrelado. Sobe o sol, o grande Rei, e do seu pilar mais majestoso brilha o amor dele pelo universo, de uma ponta dos seus cabelos oleosos relampeja um rosa celeste, e d’outra o branco, a luz, a luz de que somos feitos e esperam todas as manhãs — mesmo sem saber — aqueles que acordam cedo.
Café da manhã fora, longe de ter amanhecido. Ainda é noite quando sugo o último gole, tomo meus passos no escuro pra me encontrar, um dia, com o dia. Parece tão frio, tão longe, tão solitário… Mas ao passo em que a cidade corre, a silhueta se apressa, eu acordo do transe, e ainda estou aquecida de cafeína. e amor do sol. De Sol, solo, para Universo.
Eu não tinha motivos, é uma pena. Mas agora me sinto mais aliviada em pensar que pode ser um bom dia, longo dia, que eu me aqueça e o deleite me leite. Milady. Pode ser que seja bom. Pode ser que seja
Claro.
Ô, olhos azuis, que me cegam lá no fundo. Oh, olhos azuis que me perseguem por trás de tudo. Eita, olhos azuis, tão brilhantes, que tens a me dizer? Vejo nos seus olhos o reflexo do meu indo, meu fui e meu é, gravado no contorno dessa íris.
Sou doce para esses olhos? Sou o escuro ensurdecedor?
Oh, olhos, onde me enxergam agora?
Agora vejo toda a confusão que estou criando.
Para lembrar desse momento
Acho que sou do tipo que fica inerte.
Não sei se leio ou contemplo a natureza. Se me leio ou faço um mapa dos ramos e galhos dessas árvores. Caiu-me na cabeça um cotoco de semente, e guardei no lugar.
Para lembrar desse momento.
Não sei se escrevo, ou me enrolo nesse manto. Se viajo os olhos no céu caminham lágrimas e arrepios por minha pele. Me escondo atrás do livro e observo pessoas, ouço o silêncio meu, o silêncio delas, o silêncio do mundo, e da cidade, ao meio-dia, no bosque.
“E assim é tudo nela; de contraste em contraste, mudando a cada instante, sua existência tem a constância da volubilidade. Na vaga flutuação dessa alma, como no seio da onda, se desenha o mundo que a cerca; a sombra apaga a luz; uma forma devanece a outra; ela é a imagem de tudo, menos de si própria.”
Til — José de Alencar
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
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Receita para fazer um poema Dadaísta, Tristan Tzara |

(Source: undertheinfluence420)
(Source: timburtonmoviegifs)

(Source: hellyeahhorrormanga)
Remember: Every 40 seconds somebody dies from suicide.





